E se uma máquina do tempo nos fizesse viajar até setembro de 2001? Vestir o equipamento de guarda-redes do Escalão de Iniciados do A. D. R. Tarouquense e estar debaixo dos postes de uma das balizas do Estádio Municipal de Tarouca? À tua frente, uma equipa arrojada e abnegada, lutando pela amizade e pela glória. Atrás de ti, as redes da Baliza que defendes, que se agitam devido ao sopro que se faz sentir. Será este um quadro ilusório ou uma pintura artística intemporal? O Clarinete, desafiando todos os limites, responder-te-á! Considerado pelo compositor Nuno Jacinto como um dos mais brilhantes valores da nova geração de instrumentistas do nosso país, Frederic Cardoso é Doutorado em Música, pela Universidade de Évora, premiado em vários Concursos Nacionais e Internacionais de Clarinete, e dedica uma parte significativa da sua carreira à pedagogia e ao desenvolvimento do repertório do seu instrumento à escala mundial.
Dina Tomé, nascida a 20 de novembro de 1968. Mulher de afetos, mãe, avó, esposa e docente com mais de três décadas de dedicação ao ensino e à formação de consciências. Ao longo da sua vida, trilhou caminhos de serviço e partilha, tendo vivido uma experiência marcante como Agente de Cooperação em Timor-Leste, onde a sua missão foi também um gesto de amor pelo outro. Timor-Leste foi a realização de um sonho que a acompanhava desde menina, daqueles sonhos que crescem em silêncio, mas nunca perdem a força. A oportunidade chegou tarde, quando o tempo já tinha escrito alguns sulcos na pele e muitas histórias no olhar, mas não hesitou em aceitar. Partiu movida pelo desejo de fazer a diferença, a vontade de contribuir para uma formação significativa das crianças Timorenses e, claro, o chamamento irresistível da aventura. Havia uma inquietação antiga, uma sede de desconhecido que pedia asas. Ir sozinha para tão longe foi como abrir uma porta para um mundo novo, um mundo que, durante algum tempo, dependeria apenas de si para ganhar forma. É uma alma determinada, guiada por uma voz interna que não se cala. Vive pela coragem de seguir os seus instintos, criar os seus caminhos, pois sabe que a liberdade nasce da autenticidade de cada passo. A sua primeira colocação, enquanto docente, foi em 1991, em Mondim da Beira, acabando por fazer de Tarouca a sua morada oficial em 1995.
Sofia Vilar, atriz e criadora, fala sobre o seu percurso nas artes: onde começou, quando se desviou do mesmo e quando voltou. E, também, dos momentos dúvida, que terminam sempre no mesmo sítio: na decisão de continuar. Ganhou este ano (2025) o prémio de Melhor Atriz no Feel The Reel International Film Festival, com a curta-metragem bilingue “After Link”, realizada por Catarina César. Relacionou-se com as artes desde cedo, começando na escrita. A sua professora primária, a professora Odete, na Escola Adães Bermudes de Tarouca, dizia que um dia ela iria ser escritora. Com cerca de 12 anos começou a dançar no Ginásio Clube de Tarouca com o professor Vítor Dourado. A dança é, até hoje, uma grande paixão. Descobriu o gosto pelo cinema de uma forma mais peculiar – arrastando os amigos para serem atores e a mãe pra ser camera woman e gravar videos por Tarouca e em casa, que depois editava e publicava no YouTube (agora estão em modo privado – para o bem de todos – mas, quem sabe, algo seja revelado durante a sua talk).
Vive entre dois mundos que, à primeira vista, parecem distantes: o da medicina e o da corrida de endurance. É médico anestesiologista com diferenciação em Medicina da Dor e atualmente diretor clínico dos cuidados de saúde hospitalares de uma ULS, mas é na longa distância que encontrou uma linguagem comum para compreender pessoas, limites e decisões. Com mais de 50 maratonas e ultramaratonas concluídas — incluindo provas icónicas como MIUT, Transgrancanaria, Zegama-Aizkorri, Western States 100 e UTMB — corre não para acumular feitos, mas para compreender o que acontece quando o corpo cansa, a mente vacila e ainda assim se escolhe continuar. Pai de dois filhos, três cães e apaixonado pela natureza, observa a corrida como um laboratório humano. Reflete como a mente do corredor se organiza, como gere as dificuldades, o silêncio, o isolamento e incerteza — e como essas mesmas competências moldam a sua prática clínica, a liderança e a vida quotidiana. Melómano, leitor e estudante de mestrado em Análise de Dados, com formação em liderança, inovação, comunicação, novas tecnologias e otimização de processos. Preocupa-se com o impacto da tecnologia no futuro, nas novas gerações e no envelhecimento da sociedade.
Entrevista RTP sobre projeto “Sonhos, Cacos e Fruta Podre”, de Carlos Gomes e Sofia Vilar
Onda Que Brada, para Clarinete e Banda Sinfónica – Antero Ávila
Orquestra Regional Lira | Açoriana Maestro: Alberto Roque | Solista: Frederic Cardoso